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I, Tonya (EUA, 2017)

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"I, Tonya" (EUA, 2017) é o típico filme biográfico de herói americano: uma espécie de ponto de vista  retrospectivo-resignado, e uma voz off narrando os atos. Mas esses dois detalhes convencionais não diminuem e nem tem como esconder o que salva a obra: a atuação de Margot Robbie! Tá realmente um negócio de doido. 

A tradição mimética americana (imitar personagens) é chata, é clichê (vide as trocentas indicações de Meryl Streap e o próprio James Franco que não vale 0,02 cents pela previsível e caricatural interpretação em O Artista do Desastre) mas nesse caso eu comprei a ideia de que a atriz criou uma persona e meteu o foda-se no compromisso com a verossimilhança. Digo isso porque noto diferenças, por exemplo, no porte físico entre a atriz e a patinadora real. Enfim, relevem a minha deselegância e aproveitem essa persona magistralmente criada. Vale a pena pelo show de dramaturgia. 

A história em si também é válida e inclusive um alerta muito sutil acerca do machismo e das con…

Projeto Flórida (2017)

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EXCELENTE filme!
Provavelmente o mais ousado e revolucionário filmograficamente entre os filmes dessa safra americana! Eu estava ao lado do "Call me by your name" como melhor filme comercial do ano, mas Projeto Flórida acaba de superar todas as expectativas. É uma mistura de "Pequena Miss Sunshine" com "Adorável Sonhadora", além de ter uma contribuição sociológica impressionante para o momento e um toque de cinema independente americano. E eu disse sociológica não político-panfletária. Os atores TODOS estão perfeitos e Willem Defoe merece o Oscar de melhor ator principal , não coadjuvante onde está indicado. Não é um filme para plateias bovinas e nem é muito fácil, mas vale cada minuto. Está fora da disputa do Oscar de melhor filme porque a Academia é burra!
A fotografia é linda, que imagens! Melhor que pelo menos 3 dos indicados!
O roteiro é dos melhores, deveria estar indicado à melhor roteiro original, é melhor do que 4 dos indicados.
Direção é primoro…

Lady Bird (2017)

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Lady Bird - Filminho bonito. Tem uma pegada feminista leve, um pouco de clichê existencialista de adolescente, mas é quase salvo pela atuação excepcional da personagem da mãe da protagonista, interpretada por Laurie Metcalf (sim, ela mesma, a mãe fundamentalista de Sheldon Cooper). Além de belíssimas imagens de Sacramento tem uma reediçao da calça boca de sino (sic). Light, e curioso pelo contexto: escola católica de "elite" em pleno século XXI com suas perspectivas de liberalidades. Direção convencional, roteiro com certa dose de previsibilidade.
Nota: 8,0.

Corra (Get Out, 2017)

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Corra figura entre as melhores obras produzidas em 2017 e é obrigatório para quem quiser acompanhar a atualidade cinematográfica. Valorizo muito, mas critico um certo didatismo de aspecto televisivo presente no filme. A metáfora da escravidão do corpo negro é excelente, as atuações são muito boas e a filmografia é decente.

Nota 9,0

Três Anúncios para um Crime.

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Três Anúncios para um Crime.

O nome dado pela produção brasileira é um horror. Didatismo feio. O nome original "Three Billboards Outside Ebbing, Missouri" é muito mais charmoso.
Esse filme altera momentos muito bons com outros um tanto pastelões, além de ter um final que pareceu preguiça de maior complexidade. Não somente pela protagonista ele lembra uma mistura de Fargo com um faroeste de Clint Eastwood adicionado à um drama razoavelmente teatral. As imagens são muito parecidas com as de bons filmes sobre Estados americanos e suas caracteríticas geo-culturais, como o belíssimo Nebraska ou mesmo outros dos irmãos Coen. A direção é discreta e parece ser intencional, acho que foi excelente assim, melhor do que diretores que metem a mão de um jeito que fica caricatural como em Lady Bird, por exemplo. É um enquadramento paradão, convencional, até porque a fotografia está linda, mas de vez em quando tem um bom movimento de câmera. O elenco é realmente forte, embora estereotipado sob…

A Forma da Água

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A Forma da Água - Eu não gostei desse filme, não gostei nada, mesmo assim ele tem seus méritos e deve ser conhecido como ícone de cultura pop e até mesmo como um gostoso passatempo. Os defeitos que me incomodam são, basicamente, a previsibilidade do romance e do desenrolar da história que em nada surpreende e a excessiva estigmatização dos personagens. Dada essa limitação de enredo, digamos assim, o filme é obrigado a ser "perfeitinho" em outros aspectos "técnicos" como maquiagem, efeitos, direção de arte. Vigora um narcisismo hipster retrô na cultura contemporânea, e a maneira como Del Toro filma os fetiches da época não escapa dessa tendência, vide o carro do personagem de Shannon (que está excelente, embora não muito diferente do que geralmente faz), o televisor do vizinho, etc. Além disso, ele força a barra nos estigmas para, supostamente, falar dos excluídos, dos diferentes. Claro que a contribuição do filme para o respeito à diversidade é bem-vinda, sempre. F…